Samuel fecha a porta e caminha devagar até a poltrona em frente à mesa de Menahen. Senta, cruza os braços e diz:
__O que foi aquilo com a mamãe anteontem?
__O quê? Está falando do quê?
__Você ameaçou minha mãe. Ameaçou internar minha mãe numa clínica psiquiátrica. Porquê?
__Eu não ameacei ninguém! Foi uma briga de casal, nada de mais! Aliás, isso não é da sua conta. É assunto meu e de Rebecca.
__Não quero que ameace, agrida, humilhe ou ofenda minha mãe. Se fizer qualquer uma dessas coisas, vou te denunciar à polícia.
Menahen dá uma gargalhada, coisa raríssima nele.
__Denunciar à polícia! Isso é uma piada, não é?! - de repente, fica muito sério - Ninguém neste país seria tão idiota assim! Eu sou Menahen Uriah.
__Sei muito bem quem você é. Por isso estou te avisando. É só um aviso, Menahen. Não ouse magoar minha mãe.
__Na minha vida você não se meta! - ele grita, esmurrando a mesa - Rebecca e eu sempre nos entendemos, são quarenta e tantos anos juntos, garoto! Você não sabe nada de casamento, vá cuidar da sua vida e deixe que da minha cuido eu! - Menahen levanta, quase num pulo, agarra Samuel pelo braço e vai arrastando-o até a porta - Fora daqui! Fora daqui!
Samuel se desvencilha dele, abrindo a porta. Encara o pai com fúria.
__Acha que tenho medo de você? Ah, você sabe muito bem que não... Mas você deveria ter medo, Menahen. Eu não estou brincando. Vou te botar na cadeia se tocar num fio de cabelo da minha mãe!
E dizendo isso, ele sai. Passa pela secretária como uma flecha e nem vê que a coitada está pálida e de olhos arregalados... Mais uma vez, acabou em briga! Não dá mesmo para conversar com Menahen! Samuel percebeu a inquietação da mãe quando foi vê-la ontem. Rebecca estava agitada, queria que ele fosse logo embora... Ela não disse nada, mas ele percebeu que alguma coisa tinha acontecido. E logo imaginou o motivo da inquietação da mãe... Uma das especialidades de Menahen: tortura psicológica! E sua vítima preferida era Rebecca. A passividade da mãe diante da tirania de Menahen incomoda Samuel. É revoltante, é triste, é muito cruel o que ele faz com a esposa...!
Samuel não está muito a fim de papo com Menahen, apesar da discussão que tiveram ainda a pouco. Mas quando se trata de Rebecca, a coisa muda de figura. Ele entra nos jardins da magnifica mansão da família Uriah torcendo para que sua mãe esteja em casa. Precisa conversar com ela, deixar claro que está ao seu lado, que vai defendê-la sempre... Rebecca é muito discreta, não fala o que está sentindo, não bota pra fora seus problemas, seus medos, suas angústias...! Viver com Menahen Uriah por mais de quarenta anos não é tarefa fácil! Como ela consegue suportar a arrogância e o egoísmo de Menahen?
Rebecca sorri ao vê-lo na sala e levanta com os braços abertos pra um abraço.
__Meu amor! Que surpresa boa! O quê tá fazendo aqui à essa hora, Sam? - ela diz, beijando o filho.
__Vamos conversar um pouquinho?
__Mas a gente conversou anteontem! Aconteceu alguma coisa, Samuel?
__É o que eu quero saber, mãe. O que foi que aconteceu que deixou o Mena tão irritado?
Rebecca sorri de novo, senta no sofá e respira fundo.
___Seu pai anda nervoso por conta da luta. E quando ele se irrita, acaba descontando em qualquer um! Sabe, essa luta está tirando seu pai do sério e...
__Pode parar, mãe! Pode parar com essa estorinha! Menahen nunca perde o controle por causa das lutas! Nunca perde o controle por causa de nada. Vocês estavam discutindo e não tinha nada a ver com luta de boxe!
__Por favor, Samuel! Chega disso! Sente aqui perto de mim, meu amor. Vamos falar de coisas boas... Da sua vida, por exemplo. Tá tranquilo pra luta?
Samuel senta ao lado dela e segura suas mãos.
__Se você não me contar, eu vou perguntar pra ele. Sabe que faço isso.
__Contar o quê?... Seu pai e eu de vez em quando brigamos, como todo casal! Foi uma discussão boba, sem importância, meu filho!
__Eu ouvi quando falaram na Beatriz.
Agora ela empalidece.
__Ah... Eu... Bem, eu fiz um comentário infeliz. Ele não gostou. Foi isso.
__Mentira. Fala a verdade, mãe. Eu ouvi vocês discutindo, o Menahen tava furioso...! E falavam da Beatriz.
Rebecca levanta, anda pela sala, passa as mãos nos cabelos... Está nervosa, claro. Se Menahen souber que disse uma palavra sequer, vai descarregar todo o seu ódio, toda a sua fúria sobre ela!...
__Eu não quero falar sobre isso, Samuel. É coisa minha e de seu pai. Fiz um comentário sobre a Beatriz, ele não gostou, ficou com raiva e... Bem, você sabe como ele fica quando desagradado...! Mas já tá tudo bem, querido. -ela sorri - A raiva já passou, ele voltou ao normal.
__Normal?!? Uma coisa que o Mena não é! Se não quer falar o que aconteceu, tudo bem. Vamos esquecer isso. Mas não quero que ele te magoe ou te machuque, mãe. Se eu souber de qualquer coisa assim, não vou ficar calado.
__Samuel...! - ela está chocada - Não fale assim! Não fale assim de seu pai, Sam!
__Essa coisa de pai... Isso não tem muito a ver com a gente, né...? Eu não gosto quando você fala desse jeito, mãe! Mas de qualquer maneira, já sabe que vou tomar uma atitude se acontecer outra cena como a de anteontem.
__Não quero que briguem, Samuel! Meu Deus, vocês são pai e filho! Precisam se entender, se amar como pai e filho!
__Isso nunca será possível. - Samuel levanta, abraça e beija a mãe - Eu preciso ir. Tenho que treinar pra luta.
__Seu pai também tá nervoso por causa dessa bendita luta!
Samuel sorri.
__Vou ganhar a luta.-ele dá uma piscadinha - Pra você.
__O que foi aquilo com a mamãe anteontem?
__O quê? Está falando do quê?
__Você ameaçou minha mãe. Ameaçou internar minha mãe numa clínica psiquiátrica. Porquê?
__Eu não ameacei ninguém! Foi uma briga de casal, nada de mais! Aliás, isso não é da sua conta. É assunto meu e de Rebecca.
__Não quero que ameace, agrida, humilhe ou ofenda minha mãe. Se fizer qualquer uma dessas coisas, vou te denunciar à polícia.
Menahen dá uma gargalhada, coisa raríssima nele.
__Denunciar à polícia! Isso é uma piada, não é?! - de repente, fica muito sério - Ninguém neste país seria tão idiota assim! Eu sou Menahen Uriah.
__Sei muito bem quem você é. Por isso estou te avisando. É só um aviso, Menahen. Não ouse magoar minha mãe.
__Na minha vida você não se meta! - ele grita, esmurrando a mesa - Rebecca e eu sempre nos entendemos, são quarenta e tantos anos juntos, garoto! Você não sabe nada de casamento, vá cuidar da sua vida e deixe que da minha cuido eu! - Menahen levanta, quase num pulo, agarra Samuel pelo braço e vai arrastando-o até a porta - Fora daqui! Fora daqui!
Samuel se desvencilha dele, abrindo a porta. Encara o pai com fúria.
__Acha que tenho medo de você? Ah, você sabe muito bem que não... Mas você deveria ter medo, Menahen. Eu não estou brincando. Vou te botar na cadeia se tocar num fio de cabelo da minha mãe!
E dizendo isso, ele sai. Passa pela secretária como uma flecha e nem vê que a coitada está pálida e de olhos arregalados... Mais uma vez, acabou em briga! Não dá mesmo para conversar com Menahen! Samuel percebeu a inquietação da mãe quando foi vê-la ontem. Rebecca estava agitada, queria que ele fosse logo embora... Ela não disse nada, mas ele percebeu que alguma coisa tinha acontecido. E logo imaginou o motivo da inquietação da mãe... Uma das especialidades de Menahen: tortura psicológica! E sua vítima preferida era Rebecca. A passividade da mãe diante da tirania de Menahen incomoda Samuel. É revoltante, é triste, é muito cruel o que ele faz com a esposa...!
Samuel não está muito a fim de papo com Menahen, apesar da discussão que tiveram ainda a pouco. Mas quando se trata de Rebecca, a coisa muda de figura. Ele entra nos jardins da magnifica mansão da família Uriah torcendo para que sua mãe esteja em casa. Precisa conversar com ela, deixar claro que está ao seu lado, que vai defendê-la sempre... Rebecca é muito discreta, não fala o que está sentindo, não bota pra fora seus problemas, seus medos, suas angústias...! Viver com Menahen Uriah por mais de quarenta anos não é tarefa fácil! Como ela consegue suportar a arrogância e o egoísmo de Menahen?
Rebecca sorri ao vê-lo na sala e levanta com os braços abertos pra um abraço.
__Meu amor! Que surpresa boa! O quê tá fazendo aqui à essa hora, Sam? - ela diz, beijando o filho.
__Vamos conversar um pouquinho?
__Mas a gente conversou anteontem! Aconteceu alguma coisa, Samuel?
__É o que eu quero saber, mãe. O que foi que aconteceu que deixou o Mena tão irritado?
Rebecca sorri de novo, senta no sofá e respira fundo.
___Seu pai anda nervoso por conta da luta. E quando ele se irrita, acaba descontando em qualquer um! Sabe, essa luta está tirando seu pai do sério e...
__Pode parar, mãe! Pode parar com essa estorinha! Menahen nunca perde o controle por causa das lutas! Nunca perde o controle por causa de nada. Vocês estavam discutindo e não tinha nada a ver com luta de boxe!
__Por favor, Samuel! Chega disso! Sente aqui perto de mim, meu amor. Vamos falar de coisas boas... Da sua vida, por exemplo. Tá tranquilo pra luta?
Samuel senta ao lado dela e segura suas mãos.
__Se você não me contar, eu vou perguntar pra ele. Sabe que faço isso.
__Contar o quê?... Seu pai e eu de vez em quando brigamos, como todo casal! Foi uma discussão boba, sem importância, meu filho!
__Eu ouvi quando falaram na Beatriz.
Agora ela empalidece.
__Ah... Eu... Bem, eu fiz um comentário infeliz. Ele não gostou. Foi isso.
__Mentira. Fala a verdade, mãe. Eu ouvi vocês discutindo, o Menahen tava furioso...! E falavam da Beatriz.
Rebecca levanta, anda pela sala, passa as mãos nos cabelos... Está nervosa, claro. Se Menahen souber que disse uma palavra sequer, vai descarregar todo o seu ódio, toda a sua fúria sobre ela!...
__Eu não quero falar sobre isso, Samuel. É coisa minha e de seu pai. Fiz um comentário sobre a Beatriz, ele não gostou, ficou com raiva e... Bem, você sabe como ele fica quando desagradado...! Mas já tá tudo bem, querido. -ela sorri - A raiva já passou, ele voltou ao normal.
__Normal?!? Uma coisa que o Mena não é! Se não quer falar o que aconteceu, tudo bem. Vamos esquecer isso. Mas não quero que ele te magoe ou te machuque, mãe. Se eu souber de qualquer coisa assim, não vou ficar calado.
__Samuel...! - ela está chocada - Não fale assim! Não fale assim de seu pai, Sam!
__Essa coisa de pai... Isso não tem muito a ver com a gente, né...? Eu não gosto quando você fala desse jeito, mãe! Mas de qualquer maneira, já sabe que vou tomar uma atitude se acontecer outra cena como a de anteontem.
__Não quero que briguem, Samuel! Meu Deus, vocês são pai e filho! Precisam se entender, se amar como pai e filho!
__Isso nunca será possível. - Samuel levanta, abraça e beija a mãe - Eu preciso ir. Tenho que treinar pra luta.
__Seu pai também tá nervoso por causa dessa bendita luta!
Samuel sorri.
__Vou ganhar a luta.-ele dá uma piscadinha - Pra você.