6 de maio de 2016

Capítulo 6

Ele não é muito alto, os cabelos quase totalmente brancos, um corpo ainda lembrando o atleta que foi um dia... Lince mostra os dentes com facilidade, tem um andar esquisito, como o de um gato... Ah, isso explica o apelido dele!... Cumprimenta os rapazes com um aperto de mão exagerado e as moças com um beijo delicado no rosto... Ele para diante de Dandara e sorri largamente.
__Que bela mulher temos aqui!... - segura a mão dela e beija - Descendente de índios, querida?
__Sim, por parte de pai.
__Como se chama?
__Dandara.
Lince ri, sem largar a mão dela.
__Que incrível coincidência! Eu conheci uma garota que se chamava Dandara! Mas ela era filha de um embaixador africano... Este é um nome africano.
__Eu sei. Negros por parte de mãe. - ela sempre diz essa mentirinha...!
__Uau! Uma bela misturinha, hein! - beija a mão dela de novo - Seja bem-vinda, Dandara! Espero que fique com a gente por muito tempo!
__Obrigada, dr. Alberto.
__Não! Não, querida! Nem doutor nem Alberto! Apenas Lince. - ele sorri e se afasta.
É, ele é esquisito. Simpático, charmoso, galanteador... Porém esquisitão! Mas Dandara gostou dele. Ele é exatamente como se mostra na tv! Hum, isso pode ser bom ou pode ser ruim... O fato é que Lince é o dono dessa e de mais outras vinte e duas lojas de artigos esportivos, portanto ele pode tudo.
E não ficou muito tempo não. Conversou com o gerente por uns quinze minutos, olhou a loja toda, fez mil perguntas e depois de se despedir com um aceno geral, foi embora. Uma agitação tomou conta dos vendedores, inclusive ela, fazendo comentários sobre o chefão... Até o gerente entrou na onda...!
__Ele gostou do que viu, pessoal! Isso é muito bom! Significa que estamos fazendo um bom trabalho!
__Que loucura! O cara é completamente pirado! - diz Lucas, rindo todo animado.
__Engano seu, Lucas. Ele de louco não tem nada! O sorriso fácil e a gentileza... Não se engane: ele é muito esperto e muito cruel também. Portanto, vamos trabalhar! Chega de conversa fiada, pessoal!
Dandara não viu nada de cruel em Lince. Talvez um quê de malícia, uma pitada de ironia... Mas maldade não. E de repente lhe vem à cabeça aquela estória que sua mãe contou... Será mesmo que seu pai conheceu Lince?Será que houve mesmo alguma briga entre eles? Bem, só tem um jeito de saber...
© Golpe Baixo
Maira Gall